e saio com minhas pegadas a passear
nunca me embolo em minhas cortinas
a vista está cansada mas avista
qualquer recanto de calma parada
saio a rua para estacionar os freios
clamar pela pista de meus anseios
sou devoto de corridas e pausas
que alfinetam meus tropeços
sou atleta em meus espessos espelhos
reflito a rota de chegada
que me leva até espíritos que não bocejam
acordam pra tudo que eu almejo
e não escondem de graça meus segredos
nas avenidas cansadas procuram
por bons espectros
e assim nas alamedas das escadas
eles sobem e nunca descem
não desalinham seus plasmas
nem embaraçam seus fantasmas
humildemente separam o joio da carcaça
férteis nas entrelinhas do sossego
limpam a alma do apego
e não se prendem a matéria do excêntrico
que se apega a farpa do apreço
arejo minhas travas afinadas
me encontro comigo mesmo
dando ritmo ao descompassado cisto
que incomoda minha cápsula arcaica
uma fissura em meu terno engomado
não pode mudar meu destino
mas deixar um tanto quanto bonito
os corações utópicos
que se vestem de incertezas
e não dão saltos caridosos
gracejo meus enfartes ilógicos
palpitando sobre batimentos
dos mais harmoniosos
e seres luminosos não desfalcam nos conselhos
seus impasses mais atenciosos
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